Transposição didática e pluralismo epistemológico: a temática sobre a origem do Universo nas aulas de Física no Brasil

Autores

DOI:

https://doi.org/10.54343/reiec.v20i2.460

Resumo

O ensino da cosmologia nas aulas de Física no Brasil é fortemente marcado pela hegemonia da Teoria do Big Bang, com a ausência de um pluralismo epistemológico que possibilite a discussão de teorias alternativas sobre a origem do Universo. Neste artigo, analisamos como a legitimação do saber escolar referente à origem do Universo no ensino de Física é influenciada pelos diferentes agentes da noosfera, conforme descritos por Chevallard. Para isso, investigamos a percepção de cinco agentes que compõem a noosfera: elaboradores de livros didáticos, professores de Física atuantes em sala de aula, cientistas da área de Astronomia e Astrofísica no Brasil, instituições governamentais ligadas à educação e pesquisadores da área de Ensino de Ciências. Os resultados apontam que a atualidade biológica e a consensualidade científica desempenham um papel determinante na seleção do conhecimento a ser ensinado, restringindo a diversidade de perspectivas epistemológicas. Conclui-se que a dinâmica da noosfera contribui para a manutenção de um ensino de cosmologia centrado exclusivamente no Modelo Cosmológico Padrão, o que pode limitar o desenvolvimento do pensamento crítico dos estudantes. Propõe-se que futuras pesquisas explorem estratégias para incorporar um ensino mais pluralista, ampliando as possibilidades de discussão crítica sobre a ciência escolar.

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Biografia do Autor

Gabriel Luiz Nalon Macedo, Universidade Estadual de Maringá - UEM

Licenciado em Física pela Universidade Estadual de Maringá - UEM (2020). Mestre em Educação para a Ciência e a Matemática pela Universidade Estadual de Maringá - PCM/UEM (2023). Doutorando no Programa de Pós-Graduação em Educação para a Ciência e a Matemática - PCM/UEM, na linha de pesquisa História, Epistemologia e Cultura da Ciência. Membro do comitê editorial da Revista Vitruvian Cogitationes - RVC.

Luciano Carvalhais Gomes, Universidade Estadual de Maringá - UEM

Doutor em Educação para a Ciência e a Matemática pela Universidade Estadual de Maringá (2012). Mestre em Educação para a Ciência e o Ensino de Matemática pela Universidade Estadual de Maringá (2008). Graduado em Licenciatura Plena em Física pela Universidade Estadual de Maringá (2005). Mestre em Engenharia de Estruturas pela Universidade Federal de Minas Gerais (2001) e graduado em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Minas Gerais (1998). Atualmente, é professor do Departamento de Física e do Programa de Pós-Graduação em Educação para a Ciência e a Matemática (PCM) da Universidade Estadual de Maringá (UEM), atuando nas seguintes linhas de pesquisa: Ensino e Aprendizagem na Educação Científica; Formação de Professores de Ciências e Matemática; História, Epistemologia e Cultura da Ciência.

Daniel Gardelli, Universidade Estadual de Maringá - UEM

Possui graduação no curso de Licenciatura em Física pela Universidade Estadual de Campinas (1998), mestrado em Ensino de Ciências (Modalidade Física) pela Universidade de São Paulo (2004) e doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Educação para a Ciência e a Matemática da Universidade Estadual de Maringá (2014). Tem experiência na área de História da Física e Ensino de Física em Nível Médio e Superior, atuando principalmente nos seguintes temas: História da Ciência, Filosofia da Ciência e Epistemologia da Ciência.

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Publicado

2025-12-02

Edição

Seção

Artículos