Transposição didática e pluralismo epistemológico: a temática sobre a origem do Universo nas aulas de Física no Brasil
DOI:
https://doi.org/10.54343/reiec.v20i2.460Resumo
O ensino da cosmologia nas aulas de Física no Brasil é fortemente marcado pela hegemonia da Teoria do Big Bang, com a ausência de um pluralismo epistemológico que possibilite a discussão de teorias alternativas sobre a origem do Universo. Neste artigo, analisamos como a legitimação do saber escolar referente à origem do Universo no ensino de Física é influenciada pelos diferentes agentes da noosfera, conforme descritos por Chevallard. Para isso, investigamos a percepção de cinco agentes que compõem a noosfera: elaboradores de livros didáticos, professores de Física atuantes em sala de aula, cientistas da área de Astronomia e Astrofísica no Brasil, instituições governamentais ligadas à educação e pesquisadores da área de Ensino de Ciências. Os resultados apontam que a atualidade biológica e a consensualidade científica desempenham um papel determinante na seleção do conhecimento a ser ensinado, restringindo a diversidade de perspectivas epistemológicas. Conclui-se que a dinâmica da noosfera contribui para a manutenção de um ensino de cosmologia centrado exclusivamente no Modelo Cosmológico Padrão, o que pode limitar o desenvolvimento do pensamento crítico dos estudantes. Propõe-se que futuras pesquisas explorem estratégias para incorporar um ensino mais pluralista, ampliando as possibilidades de discussão crítica sobre a ciência escolar.
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